Febre Amarela ainda é ameaça ao Grande ABC

Por Portal Opinião Pública 03/12/2018 - 12:10 hs
Foto: EBC

 

O Grande ABC tem cobertura vacinal insuficiente contra a febre amarela. Das sete cidades, apenas São Caetano imunizou mais do que 95% da população, índice recomendado pelo Ministério da Saúde para uma proteção eficaz. No geral, apenas 53% dos 2,7 milhões de moradores estão protegidos.

O cenário preocupa especialistas, tendo em vista a chegada do verão – período propício para a proliferação de vetores da doença – e a procura pelo Litoral e áreas de mata – habitat dos mosquitos – como destino para as férias de fim de ano. Neste ano, o Grande ABC contabilizou nove casos da doença, sendo oito importados e um autóctone, em São Bernardo. Não houve mortes.

Conforme a Secretaria Estadual da Saúde, pela primeira vez, o vírus da febre amarela está circulando durante época do calor – quando a reprodução do mosquito transmissor é mais intensa – pelo Litoral.

Para evitar o registro de novos casos da doença, que contabilizou surto no início do ano, a vacinação é muito importante. No entanto, diferentemente das cenas de filas quilométricas nos postos de Saúde, como ocorreu em janeiro, UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da região registram baixa procura pela imunização, mesmo gratuita.

Para a diretora técnica de imunização da Secretaria de Estado da Saúde, Helena Sato, é fundamental que quem ainda não foi vacinado providencie a proteção o mais rápido possível, principalmente entre as sete cidades. “Os corredores ecológicos são a região que contêm o habitat do vetor do vírus, que no caso da febre amarela é a Mata Atlântica. Por isso, a vacinação nestas regiões se torna prioridade, apesar da doença estar no ciclo silvestre.” A febre amarela silvestre é transmitida pelos mosquitos Haemagogus ou Sabethes. O aedes aegipty só se torna o vetor no ciclo urbano.

De acordo com o biólogo do CRBio (Conselho Regional de Biologia) da primeira região (que contempla São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), Horácio Teles, devido ao aumento do vetor da doença, as pessoas têm que priorizar a imunização. “É de extrema importância alertar para a necessidade da vacina, pois é a única forma de garantir a proteção contra a febre amarela.”

O uso de repelentes e evitar regiões de mata também são formas de prevenção, mas não muito confiáveis, segundo o biólogo. “O repelente precisa de uma manutenção depois de algumas horas, e as pessoas esquecem de passar, é normal. O mais certo seria se afastar de áreas de mata, apesar do turismo característico desta época”, observou Teles.

Vale lembrar aos que estão programando viagem, que a vacina deve ser aplicada com pelo menos dez dias de antecedência de um possível contato com o vetor da febre amarela.